Desculpem pelas críticas ainda tímidas e bem atrasadas, mas jornalismo cultural está bem distante do que tenho feito ultimamente. Como dizem por ai, a prática nos ajuda a melhorar bastante. Antes de comentar dos filmes tenho que falar mais um pouco da experiência da própria Mostra. É muito interessante ver como as pessoas fizeram muitas amizades por conta de anos de Mostras, as trocas de opinião sobre os filmes, os lanches estranhos no meio das sessões, é um mundo completamente doido. A diversão já começa no quebra-cabeça que é encaixar os filmes que vocês quer ver com os horários e os locais, meu primeiro método já me fez perder dois filmes, espero que o novo seja mais eficiente.
Como já disse to adorando as retrospectivas, é uma vergonha assumir isso, mas não tinha visto os filmes do Elia Kazan e to aproveitando para tirar o atraso. Warren Betty e Natalie Wood estão maravilhosos em Clamor do Sexo. O filme é tão atual que assusta, hoje não discutimos tanto a virgindade em si, mas nós mulheres ainda sofremos tanto preconceito por querer ter um vida sexual saudável/regular e prazerosa.
Del, o pai de Deanie (Wood) parece entender muito mais a filha do que a mãe que acaba representando tudo o que a sociedade da época esperava de uma mulher. Já Bud, que era memso um bom moço, não consegue lidar com seus sentimentos pela namorada e nem cumprir o que seu pai quer. Uma dos melhores diálogos do filme acontece exatamente no sanatório entre Deanie e seu médico, quando os dois discutem a relação com os pais e suas dificuldades. Além de um roteiro consistente e realista , o filme tem belos cenários e ótimos personagens, um clássico que vale a pena ser revisto várias vezes.
Clamor do sexo - 121 min - EUA (1961) Dir: Elia Kazan
Era uma vez ... Laranja Mecânica
Seria muito difícil um documentário sobre o fenomenal Laranja Mecânica ser mais ou menos não é? É maravilhoso assistir a visão e as histórias de Malcolm McDowell e de outros atores. Além da viúva de Kubrick e de um dos produtores. No documentário descobrimos os bastidores e como curiosamente as vestimentas e algumas cenas foram pensadas. Antes de rever o clássico vale a pena conhecer mais sobre as polêmicas que ele causou. O documentário também traz entrevistas e análises de alguns sociólogos sobre as inovações do filme, sobre violência e sobre a sociedade da época.
Era uma vez ... Laranja Mecânica - 52 min - França (2011)- Dir: Antoine De Gaudemar
Marighella
Excelente escolha para meu primeiro filme brasileiro na mostra. A diretora e sobrinha de Mariguella comentou sobre o fato de não existir nenhuma filmagem dele e por isso as poucas fotos dele foram inseridas na história junto com depoimentos de companheiros de luta e de sua família. Mesmo sem saber disso, a maneira escolhida mixando retratos, jornais, depoimentos, cenas de filmes e cenas reais funciona tão bem que nos faz mergulhar na fascinante biografia desse baiano e filho de italiano com uma negra descendente dos malês.
Mesmo retomando um período bastante recorente no cinema nacional, a ditadura, e que precisa ser revisto aqui na realidade, temos elementos muito interessantes na tela. O filme mostra um lado mais humano de um homem que foi considerado inimigo número 1 do Governo Militar. Sua inteligência e suas histórias na clandestinidade divididas conosco pela simpática viúva Clara, constroem um homem além do mitíco guerrilheiro.
Seus textos e seu poema sobre como funciona um espelho são trazidos para nós pela voz de Lázaro Ramos com direito a desenhos interativos, dá até para achar física interessante !! (sorry eu nunca consegui entender direito essa matéria, imagino que seja fascinante). Um documento histórico importante e ótimo para ser visto pela nova geração de revoluções do sofá e das redes sociais.
Marighella - 100 min - Brasil (2011) - Dir: Isa Grinspum Ferraz











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