25/10/11

3º Dia: Clamor do Sexo, Era uma vez ... Laranja Mecânica, Mariguella

Quase todos os dias me programo para pelo menos 4 filmes e até agora não consegui ver mais que três em um dia. Ou a sessão atrasa e não consigo chegar na próxima ou eu mesma percebo que não conseguirei absorver mais nada.

Desculpem pelas críticas ainda tímidas e bem atrasadas, mas jornalismo cultural está bem distante do que tenho feito ultimamente. Como dizem por ai, a prática nos ajuda a melhorar bastante. Antes de comentar dos filmes tenho que falar mais um pouco da experiência da própria Mostra. É muito interessante ver como as pessoas fizeram muitas amizades por conta de anos de Mostras, as trocas de opinião sobre os filmes, os lanches estranhos no meio das sessões, é um mundo completamente doido. A diversão já começa no quebra-cabeça que é encaixar os filmes que vocês quer ver com os horários e os locais, meu primeiro método já me fez perder dois filmes, espero que o novo seja mais eficiente.

Como já disse to adorando as retrospectivas, é uma vergonha assumir isso, mas não tinha visto os filmes do Elia Kazan e to aproveitando para tirar o atraso. Warren Betty e Natalie Wood estão maravilhosos em Clamor do Sexo. O filme é tão atual que assusta, hoje não discutimos tanto a virgindade em si, mas nós mulheres ainda sofremos tanto preconceito por querer ter um vida sexual saudável/regular e prazerosa.

Del, o pai de Deanie (Wood) parece entender muito mais a filha do que a mãe que acaba representando tudo o que a sociedade da época esperava de uma mulher. Já Bud, que era memso um bom moço, não consegue lidar com seus sentimentos pela namorada e nem cumprir o que seu pai quer. Uma dos melhores diálogos do filme acontece exatamente no sanatório entre Deanie e seu médico, quando os dois discutem a relação com os pais e suas dificuldades. Além de um roteiro consistente e realista , o filme tem belos cenários e ótimos personagens, um clássico que vale a pena ser revisto várias vezes.

Clamor do sexo - 121 min - EUA (1961) Dir: Elia Kazan

Era uma vez ... Laranja Mecânica

Seria muito difícil um documentário sobre o fenomenal Laranja Mecânica ser mais ou menos não é? É maravilhoso assistir a visão e as histórias de Malcolm McDowell e de outros atores. Além da viúva de Kubrick e de um dos produtores. No documentário descobrimos os bastidores e como curiosamente as vestimentas e algumas cenas foram pensadas. Antes de rever o clássico vale a pena conhecer mais sobre as polêmicas que ele causou. O documentário também traz entrevistas e análises de alguns sociólogos sobre as inovações do filme, sobre violência e sobre a sociedade da época.

Era uma vez ... Laranja Mecânica - 52 min - França (2011)- Dir: Antoine De Gaudemar

Marighella

Excelente escolha para meu primeiro filme brasileiro na mostra. A diretora e sobrinha de Mariguella comentou sobre o fato de não existir nenhuma filmagem dele e por isso as poucas fotos dele foram inseridas na história junto com depoimentos de companheiros de luta e de sua família. Mesmo sem saber disso, a maneira escolhida mixando retratos, jornais, depoimentos, cenas de filmes e cenas reais funciona tão bem que nos faz mergulhar na fascinante biografia desse baiano e filho de italiano com uma negra descendente dos malês.

Mesmo retomando um período bastante recorente no cinema nacional, a ditadura, e que precisa ser revisto aqui na realidade, temos elementos muito interessantes na tela. O filme mostra um lado mais humano de um homem que foi considerado inimigo número 1 do Governo Militar. Sua inteligência e suas histórias na clandestinidade divididas conosco pela simpática viúva Clara, constroem um homem além do mitíco guerrilheiro.

Seus textos e seu poema sobre como funciona um espelho são trazidos para nós pela voz de Lázaro Ramos com direito a desenhos interativos, dá até para achar física interessante !! (sorry eu nunca consegui entender direito essa matéria, imagino que seja fascinante). Um documento histórico importante e ótimo para ser visto pela nova geração de revoluções do sofá e das redes sociais.

Marighella - 100 min - Brasil (2011) - Dir: Isa Grinspum Ferraz

24/10/11

2º Dia: Angèle e Tony, Serguei Paradjanov - O Rebelde, Sombras dos Ancestrais Esquecidos

O francês Angèle e Tony é tocante, exatamente como me disse um colega que fiz na sessão do filme. Angèle é uma mulher muito bonita e está com a vida bastante bagunçada depois de ficar presa por um tempo. Não tem mais relação com o filho que está sendo criado pelos sogros.

Tony é pescador em porto na Normandia , mora com  a mãe e tem uma relação conturbada com o irmão. O pai sumiu há alguns meses no mar. Os dois se encontram por conta de um anúncio pessoal.
Angèle desde o começo tenta algo com Tony que resiste, mas lhe oferece casa e emprego.

De uma maneira atrapalhada os dois vão construindo intimidade e se interessando cada vez mais um pelo outro. A mãe de Tony também acaba gostando de Angèle e ajudando na relação. Já seu ex-sogro demostra que gostaria que ela tivesse uma relação com seu filho. O agente da condicional sempre aparece como se fosse um consciência de Angèle e a ajuda com conselhos e algumas broncas. Um drama com pitadas de humor e romance que nos cativa.

Angèle e Tony - 87 min - França (2010) Dir: Alix Delaporte

Sergei Paradjanov - O Rebelde

Paradjanov já é por si só já é um personagem fascinante. O documentário mostra sua casa, o museu dedicado ao diretor na Armênia e em sua cidade natal Tbilisi. Suas colagens impressionam pela imaginação e pelos detalhes e materiais usados. Paradjanov explica como realiza seus filmes e os métodos que usa para dirigir seus atores, como o vizinho que atuou em seu último filme O Trovador Kerib (1988). Ao assistir ao doc adentramos ao mundo do diretor e adquirimos elementos interessantes para aproveitar seus filmes mais profundamente.

 Sergei Paradjanov - O Rebelde - 52 min -  França/Geórgia (2006) Dir:Patrick Cazals

Sombras dos Ancestrais Esquecidos

O romance nada convencional de Paradjanov nos leva às montanhas nos Cárpatos. Marichka e Ivan são de famílias inimigas e se encantam um com o outro no velório do pai de Ivan que foi assassinado pelo pai de Marichka. Ao mesmo tempo que os dois vão crescendo o filme mostra os costumes da região e a grande religiosidade de todos. 

Depois que Marichka sofre um acidente e Ivan enloquece por um tempo. A história, cenários e a caracterização dos personagens é extremamenre rica, mas o excesso de idas e vindas deixam o filme levemente cansativo.

Ivan acaba se casando com  Palagna, mas não consegue esquecer seu grande amor. Ao usar feitiçaria ela acaba se envolvendo com outro homem. As cores dos cenários e das roupas enriquecem a história, cheia de símbolos e alegorias. 

Sombras dos Ancestrais Esquecidos - 97 min - Rússia (1965) Dir: Paradjanov

1° Dia: O Sétimo Satélite e Ócio

Nesta mostra as retrospectivas estão muito interessantes. Na sexta vi O Sétimo Satélite do russo Aleksei German. 
Tirando alguns problemas com a legenda em português fiquei completamente entretida nesse filme de 1968. A temática da Revolução Russa já me agrada muito e sendo contada através de um personagem tão cativante quanto o General Adamov melhor ainda.

Os outros presos inconformados com os bolcheviques, discutindo e tentando se convencer que o antigo regime seria restaurado traz um outro lado da história que quase nunca prestamos atenção. A covardia do "nobre" senador diante da morte comparada com a audácia de Adamov ao voltar a prisão já que não tinha onde dormir mostram o caráter dos dois diante das mudanças.

Admirável a sua vontade de viver e até retribuir o que já havia recebido da vida ao aceitar ser lavadeira da prisão. Já a sua reinserção no Exército Vermelho mostrou que ele não estava disposto a deixar sua ética de lado. Claro que no meio de uma revolução já vimos várias vezes que as leis não são seguidas e novas regras são estabelecidas até que um novo regime mesmo se forme.

Sua conversa com o camarada sobre Deus foi um ponto alto do filme. Depois que o Antigo Regime caiu, Adamov sofreu um grande mudança em seu pensamento e seguiu nele até o fim. Sua preocupação com a mãe do colega de arma também foi tocante, ainda mais depois de sabermos o que que realmente acontecia por lá.

Com poucos e bem caracterizados locais, German nos coloca dentro da Rússia de uma maneira primorosa. Demostra simpatia pelos revolucionários, mas sem ignorar suas incoerências e problemas. Para quem quer conhecer mais sobre a história russa e ver um belo filme, eu recomendo. Ainda verei e comentarei outros filmes da Retrospectiva do German.

O Sétimo Satélite - 89 min - Rússia (1968) Diretor  Aleksei German

Ócio
Até agora o filme argentino foi o único que achei ruim. Escolhi ele meio aleatoriamente já que não consegui pegar ingressos no Reserva e apostei no fato de gostar de cinema argentino. A premissa do filme não é ruim, Andrés é um jovem que acaba de perder a mãe e vive com o pai e o irmão. Não trabalha e não tem muita perspectiva. Passa seus dias com alguns amigos e escutando música em uma vitrola ( o que achei genial).

Por sinal a trilha sonora é bem interessante, de primeira olhada não achei as músicas, mas depois com calma procuro e posto aqui.
O filme tem um ritmo lento, cansativo. Um ponto interessante são os personagens do Andrés e do pai, mas que no contexto todo não salvam o filme.

Ócio - 70 min -Argentina (2010) Diretor  Alejandro Lingenti, Juan Villegas


22/10/11

Total dedicação a 35ª Mostra de cinema - 1º filme: Belleville Tóquio



Meu primeiro filme na 35ª Mostra de Cinema foi Belleville Tóquio. Ainda bem que na sorte escolhi um bom filme para estrear esse ano que comprei o pacote permanente. Para quem não sabe ainda, me programo desde o ano passado para tirar férias nessa época e assistir minha 1ª mostra com um pacote permanente.

Bem voltando ao filme, escolhi esse por ir com a cara do nome e por ser francês já que assim treinaria o idioma. O roteiro tem sacadas ótimas relacionadas a cinema, uma excelente escolha para um festival.

O filme começa com Marie levando seu marido, Julien a estação de trem. Julien está indo para um festival de cinema em Veneza e confessa a esposa que está apaixonado por outra.

Marie nos conquista pela fragilidade e humanidade, afinal quem nunca sofreu o baque de um fora assim sem saber o porquê? Ao mesmo tempo depois da traição do marido, Julian, ela não consegue mais vê-lo da mesma forma e muito menos confiar nele.

Os absurdos que Julian fala e faz levam a risadas nervosas na sala de projeção. Como assim alguém dedica um filme daqueles a mulher que supostamente ama e que carrega seu filho? Confesso que para uma feminista como eu, era angustiante ver Marie se submetendo a algumas situações e aguentando os desaforos que Julian falava. Ainda sim, Marie acaba tomando conta da situação e mostrando que não é uma frágil mulher traída.

Ao mesmo tempo, Julien se parece muito com outros homens que ficam perdidos em suas vidas e acabam culpando suas companheiras por suas próprias angústias.

Jean-Jacques e Jean-Loup adicionaram muitas risadas a história e mostraram um lado cuidadoso e de muita amizade por Marie. A ideia de trancar Julien em um porão foi de uma inocência tocante.

Valérie Donzelli (Marie) nos traz uma complexa e bem real mulher que inicialmente confusa se submete a alguns caprichos. Já a falta de expressão de Jérémie Elkaïm ajuda na falta de empatia com o personagem.

Belleville Tóquio - 75 min - França (2010) Dir: Elise Girard

16/10/09

Era da Estupidez


O filme "A Era da Estupidez" mostra a passividade humana diante das consequências do aquecimento global.

O lançamento principal foi em uma tenda especial, em Manhattan (Nova York), inteiramente abastecida por energia solar, e com cerimônia apresentada pelo ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan, a atriz Gillian Anderson (“Arquivo X”), a diretora Franny Armstrong, a produtora Lizzie Gillett e o protagonista do filme, Pete Postlethwaite.

A história se passa em 2055, e o personagem o 'arquivista' (Pete Postlethwaite) vive sozinho em um mundo devastado por causa do aquecimento global e utiliza seu tempo arquivando imagens do passado. Selecionando alguns vídeos, ele questiona por que a humanidade não tomou providências enquanto podia.

O filme alterna depoimentos de seis pessoas que, de alguma forma, contribuem, combatem ou são atingidos pelas mudanças ambientais e humanas no planeta aos possíveis cenários para o mundo ao longo dos anos.

Imagens reais e animações tecem o enredo e mostram o que devemos fazer para modificar esse sombrio futuro que nos espera se continuarmos com a má utilização dos recursos naturais.

Através dos depoimentos, tragédias como a do Furacão Katrina, que destruiu o sul da Flórida, são humanizadas e causam empatia nos espectadores, que podem perceber sua participação na mudança climática e assim repensar seu consumo e se engajar na luta a favor da sustentabilidade.

Os contrastes focados pela diretora ilustram as imensas desigualdades sociais entre as pessoas e o quanto a maioria não percebe as consequências dos seus atos.

Preste atenção na justificativa da pequena comunidade inglesa contra a implantação de turbinas que produzem energia eólica, a possível diminuição do preço de suas fazendas pela "feiura" dos tais objetos, e o fato de essas pessoas afirmarem que são a favor das energia alternativas.

A esperança de pessoas como o inglês Piers Guy e sua família, que vivem sustentavelmente, e da nigeriana Layaefa Malemi, que quer entrar na faculdade de medicina e ajudar sua comunidade, amenizam o clima nebuloso causado pelos dados alarmantes do filme.

A "A Era da Estupidez" é um filme que traz muita reflexão e quem sabe pode trazer mudanças no jeito de agir das pessoas. A exibição do longa-metragem está vinculada à Campanha Global de Ações pelo Clima (GCCA), também denominada no Brasil campanha TicTacTicTac, é uma aliança inédita de organizações não-governamentais, sindicatos, grupos religiosos e pessoas que reivindicam um acordo ambicioso e justo na 15ª Conferência das Partes (COP-15) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. A cúpula de governos mundiais vai se reunir em Copenhague, Dinamarca, de 7 a 19 de dezembro de 2009.

"A Era da Estupidez", de Franny Armstrong, com Pete Postlewhaite; 92 min.

Esse texto foi originalmente publicado no site Rede Brasil Atual

15/06/09

Nossa Ineficiente Percepção


Hoje tive uma excelente palestra sobre inclusão com a jornalista Cláudia Werneck, é jornalista e autora de mais de dez livros sobre inclusão e uma das fundadoras da ONG Escola de Gente . Pena que a aula é de duas horas e não havia mais tempo, pois ela tinha muitas coisas interessantes a ensinar.

Meu contato mais real com deficientes foi há uns dois anos quando fui monitora de uma turma de capacitação para deficientes visuais. Minha visão, literalmente, mudou muito e aprendi tanto com eles sobre a condição humana, que tinha muito prazer em ajuda-los nas coisas corriqueiras do dia-a-dia.

Logo depois também ajudei em uma turma onde havia diferentes deficientes, aprendi um pouco de LIBRAS e me apaixonei, até hoje ainda não consegui fazer o curso, mas quero muito aprender a linguagem de sinais.

A palestrante comentou que quando defendemos alguma causa com determinação muitas vezes sofremos a mesma exclusão que as pessoas de quem falamos e defendemos.
Voltando no ônibus fiquei pensando sobre isso, eu e a Rose Soler fizemos um matéria com duas irmãs e anãs que são donas de uma loja de miniaturas no Eldorado, riram muito da nossa pauta e niguém entendeu qual era o objetivo de falarmos de pessoas tão supostamente"distantes e diferentes de nós". Exatamente queriamos mostrar a diversidade das pessoas que moram em São Paulo e suas dificuldades nessa grande metrópole.

Depois de fazer essa reportagem comecei a perceber muito mais as pessoas de baixa estatura, em todos os lugares via um, ai fiquei refletindo se era uma coincidência ou se antes eu realmente não percebia e não enxergava essas pessoas. O mesmo aconteceu quando fui monitora na turma de deficientes visuais, via mais pelas ruas e estava mais capacitada e disposta a ajuda-los no que eles precisassem.

Não vou mentir e dizer que não tenho nenhum tipo de preconceito e que nunca julgo as pessoas, fui criada e cresci em um sociedade assim e luto todos os dias para minimizar esses pensamentos.

Espero de alguma forma contribuir para que as pessoas também quebrem determinados dogmas e preconceitos e assim vejamos o outro como ele realmente é, um ser da mesma espécie que nós, um ser humano.

08/06/09

Sites de colocação Profissional

Respondendo ao post da Sam sobre sites de colocação profissional, ela fala sobre o site da Monster , uma empresa com experiência em recursos humanos em vários países e que agora investe pesado no mercado 2.0 no país.

Posso comentar mais por observar os outros do que por experiência própria já que nunca paguei por um serviço desse tipo . No momento até tenho meu curriculum em alguns, mas na parte gratuita que deixa a desejar e nessa semana mesmo cancelei a minha conta em um já que eles começaram a enviar e-mails de vagas sem nenhuma seleção e fora das opções que tinha selecionado.

Tenho um teoria que ainda não comprovei, mas me parece correta, para pessoas com uma vasta ou pelo menos com mais experiência profissional, que eu uma recém-formada, esses sites costumam funcionar, conheço algumas pessoas que conseguiram emprego através deles. Mas para recém-formados acho um dinheiro mal empregado já que haverá muitos vácuos no curriculum.

Achei o visual do site da Monster interessante e vou dar uma olhadinha com mais calma em casa, mas para uma jornalista recém-formada o melhor mesmo é fazer cursos e conhecer muita gente até conseguir alguém que dê oportunidade para realmente termos experiência na área exigida por ai.